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A crónica pobreza energética portuguesa e a necessidade de uma solução eficaz

De acordo com o Observatório da União Europeia para a Pobreza Energética, são mais de 50 milhões as famílias europeias que vivem em situação de pobreza energética, expressão que caracteriza os agregados que não têm capacidade financeira para custear as suas necessidades de conforto térmico. Embora beneficiado por um clima particularmente ameno, Portugal é um dos países com maior nível de pobreza energética. Os estudos realizados pelo Instituto Nacional Ricardo Jorge estimam que anualmente se registem cerca de 400 mortes, no país, devido às baixas temperaturas. 

Dados dramáticos que encontram respaldo nas respostas da população aos diversos inquéritos sobre o tema. De facto, 74% dos portugueses consideram a sua casa excessivamente fria no Inverno, com somente 1% a declarar a sua habitação como termicamente confortável. A conjugação do atual panorama das habitações com as dificuldades financeiras para correção destas variações térmicas restringe a tipologia de soluções potencialmente aplicáveis, que terão de ser, necessariamente, financeira, ecológica e operacionalmente viáveis. 

É neste quadro que o sistema ETICS (External Thermal Insulation Composite System) se torna especialmente relevante e com um impacto potencial muito significativo. De forma sintética, o ETICS designa um sistema de isolamento de fachadas, aplicado pelo exterior, que visa a redução das trocas de calor entre o exterior e o interior. 

Ao potenciar a inércia térmica das paredes, este sistema permite a estabilização da temperatura interior da habitação, reduzindo de forma acentuada as necessidades de regulação térmica por outros equipamentos, como ar condicionado ou aquecedores. Deste modo, assegura uma importante poupança energética, minorando substancialmente os custos das famílias com esta fatura. 

Embora esta saudável relação entre a eficiência e os custos seja uma das principais vantagens do ETICS, estas não se circunscrevem a este aspeto. Destaco, adicionalmente, a possibilidade de ser aplicado em construções novas ou remodelações e o facto de, nestas últimas, não implicar constrangimentos no espaço interior da casa, sendo toda a intervenção realizada no exterior. Igualmente relevante é a redução do impacto no meio ambiente que este assegura, tratando-se de um sistema que promove ativamente a economia circular, ao incorporar produtos naturais, recicláveis e no fim de vida, ao invés de matérias-primas virgens. 

Num país que se debate com um problema crónico de pobreza energética, cujos custos continuam a crescer de forma contínua, a opção por soluções céleres, sustentáveis e eficazes tem, obrigatoriamente, de ser uma propriedade coletiva. Foi isso mesmo que o Estado reconheceu, ao incluir o sistema ETICS na tipologia de projetos habilitados aos apoios previstos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito da eficiência energética. Compete-nos, agora, promover ativamente as condições para que todas as famílias possam usufruir do conforto térmico das suas casas. 

José Martos, CEO da Saint-Gobain Portugal, in Dinheiro Vivo 

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