Resultados de 2024 reforçam trajetória de crescimento da Saint-Gobain
Que balanço fazem do ano de 2024 relativamente à vossa área de atividade, em termos de desafios e resultados?
O ano de 2024 foi marcado por um contexto económico exigente, com pressões inflacionistas, incerteza geopolítica e instabilidade nos custos das matérias-primas e da energia.
Ainda assim, em Portugal, registou-se um crescimento de 4,9% na construção de novas habitações, face a 2023, enquanto se observou um dinamismo crescente na reabilitação urbana (dados: Síntese Estatística da AICCOPN - Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas).
Na Saint-Gobain, mantivemos uma trajetória sólida, sustentada pela nossa capacidade de adaptação, inovação e compromisso com a sustentabilidade.
Foi também um ano importante ao nível do reforço da nossa proximidade com clientes e parceiros, através do lançamento de soluções cada vez mais eficientes, alinhadas com os desafios climáticos e energéticos e com as necessidades dos profissionais.
Que impacto as alterações legislativas sobre descarbonização e transição energética têm tido na vossa atividade? E que papel a economia circular (reutilização, reciclagem) desempenha na vossa cadeia de valor?
As novas exigências legislativas representam, para nós, uma oportunidade para acelerar o caminho que já vínhamos a trilhar. A descarbonização e a transição energética são prioridades estratégicas para a Saint-Gobain a nível global e local.
Em Portugal, temos vindo a investir na eficiência energética das nossas unidades industriais, na eletrificação de processos e no desenvolvimento de produtos com menor pegada carbónica.
A economia circular é também um pilar essencial da nossa atuação. A este nível, incorporamos materiais reciclados nos nossos processos produtivos, promovemos a reciclabilidade dos nossos produtos e estamos a estudar parcerias para a recolha e reutilização de resíduos de obra.
Acreditamos que o futuro da construção passa, inevitavelmente, por uma abordagem mais circular e regenerativa.
O que é que o mercado mais privilegia hoje? Que alterações ou novos produtos estão a preparar em resposta à crescente industrialização do sector da construção e ao surgimento de cada vez mais sistemas modulares?
O mercado valoriza cada vez mais soluções que combinem sustentabilidade, eficiência e rapidez de aplicação. Há uma procura clara por sistemas construtivos que permitam reduzir os prazos de obra, minimizar o desperdício e melhorar o desempenho térmico e acústico dos edifícios.
Em resposta a esta tendência, temos vindo a reforçar a nossa oferta em soluções industrializadas e modulares, como sistemas de fachada leve e soluções de isolamento integradas.
Em resposta à falta de mão de obra que se sente no setor, o serviço mecanizado para a aplicação de pavimentos interiores weberfloor pump truck da Weber distingue-se por oferecer uma economia significativa de tempo e de custos em obra para o aplicador.
Ao mesmo tempo, contribui para o conforto e ergonomia do aplicador e para a sustentabilidade da construção, uma vez que não utiliza sacos para a entrega dos produtos e possibilita reabastecimentos de areia perto do local de obra, o que permite reduzir as emissões de CO2 associadas ao transporte.
Complementar a este serviço, reforçamos a gama werberfloor com novas soluções para pavimentos que se destacam pela sua competitividade e adequação às exigências do mercado.
Com vista a promover uma economia circular e minimizar o impacto ambiental dos nossos materiais, destacamos ainda o cimento-cola webercol flex lev da Weber que, com cerca de 30% de materiais reciclados incorporados, permite o mesmo rendimento com metade da quantidade de material, e o vidro ORAÉ®, com 70% de vidro reciclado e uma pegada de carbono mais reduzida.
Atualmente, cerca de 72% das nossas vendas provêm de soluções sustentáveis, e os produtos comercializados pelo grupo permitem evitar cerca de 1.300 milhões de toneladas de emissões de CO2, por ano, ao longo da sua vida útil.
Desta forma, estamos totalmente comprometidos em impulsionar a transformação do setor, inovando continuamente e oferecendo soluções que promovam uma construção mais sustentável e eficiente.
Como é que a digitalização ou a inteligência artificial têm impactado os processos de produção e/ou o desenvolvimento de produtos na vossa empresa?
A digitalização é uma das alavancas de transformação da nossa atividade. Nos processos de produção, tem-nos permitido ganhar eficiência, reduzir desperdícios e melhorar o controlo de qualidade.
Por outro lado, a disponibilização dos nossos produtos em objetos BIM (Building Information Modeling) - com a sua imagem estética, certificações associadas, informações técnicas e comerciais - permite aos profissionais do setor uma projeção, execução e manutenção de infraestruturas e edifícios de forma mais rápida, económica e sustentável.
A inteligência artificial, em particular, está a abrir novas possibilidades ao nível da personalização de soluções e da gestão mais eficiente da cadeia de valor.
Ainda é cedo para avaliar perdas ou ganhos, mas de que forma é que esta “guerra comercial” que estamos a viver pode impactar a vossa atividade?
A instabilidade geopolítica e as tensões comerciais a nível global têm inevitavelmente impacto nas cadeias de abastecimento e na volatilidade dos custos.
A Saint-Gobain Portugal tem procurado mitigar esses riscos através da aposta na produção local e da otimização logística.
Apesar dos desafios, continuamos a acreditar que o investimento em soluções sustentáveis, na inovação e na proximidade ao mercado português nos permitirá manter a resiliência da nossa operação e continuar a crescer de forma sustentável.
Asier Amorena, CEO da Saint-Gobain Portugal in Construir.