Transição para uma economia circular mais forte no setor
Recordo que há um ano falávamos da aprovação da diretiva sobre o desempenho energético dos edifícios. Um ano volvidos que balanço fazem? De que forma os requisitos normativos – nacionais e europeus – estão a impulsionar a inovação no setor?
Um ano após a aprovação da diretiva europeia para o desempenho energético dos edifícios, o balanço é positivo. Esta legislação tem funcionado como uma alavanca importante para acelerar a inovação e a adoção de soluções sustentáveis no setor da construção.
Na Saint-Gobain Portugal, através da Saint-Gobain Glass Portugal, temos tido oportunidade de reforçar a aposta em vidros de alta performance, como as soluções Climalit® Plus, que combinam isolamento térmico e controlo solar, contribuindo significativamente para a eficiência energética dos edifícios.
Esta procura crescente por soluções com melhor desempenho está claramente a moldar o futuro da construção em Portugal e na Europa.
A economia circular está a ganhar relevância no sector da construção. Que estratégias ou inovações as vossas empresas estão a adotar para promover a reciclagem, reutilização ou redução de desperdícios na vossa atividade?
A economia circular é uma prioridade para a Saint-Gobain Portugal. Um exemplo claro é o projeto Hotel Júpiter, em Portimão, com intervenção da Saint-Gobain Glass, de onde foram retiradas cerca de 18 toneladas de casco de vidro provenientes da renovação do edifício. Esse material foi devidamente segregado e reintroduzido no processo produtivo, o que permitiu não só reduzir o desperdício como também diminuir a pegada de carbono da obra.
Além disso, estamos a desenvolver o projeto Climalit® Recicla que visa criar uma cadeia estruturada de recolha de resíduos de vidro nas obras, transformadores e instaladores, garantindo a sua triagem e reintegração na produção. Esta abordagem fecha o ciclo de vida do vidro e é um passo fundamental para a construção circular e sustentável.
Por outro lado, o vidro base Climalit Oraé®, é uma solução pioneira no setor da construção, ao apresentar uma pegada de carbono estimada de apenas 7 kg CO2 eq./m2 (para uma espessura de 4 mm). Composto por 70% de vidro reciclado (casco), é a primeira solução de vidro no mercado com uma redução de aproximadamente 40% na pegada de carbono, em relação à média europeia de produção de vidro base.
Acabamos de ter eleições: o que esperam do novo Governo, sabendo os avanços e recuos de apoios como “edifícios+ sustentáveis” e a sua importância para este setor?
Esperamos uma política de continuidade e ambição no que diz respeito à reabilitação energética e à sustentabilidade dos edifícios. Programas como o “Edifícios + Sustentáveis” são muito importantes para o cumprimento das metas ambientais de Portugal e da União Europeia, em que o apoio à renovação do edificado, com recurso a soluções eficientes como o vidro, é uma prioridade.
A falta de mão de obra qualificada é um problema transversal à construção. De que forma vos atinge e como avaliam o seu impacto?
Este é, sem dúvida, um dos grandes desafios do setor. No nosso caso, temos sentido essa escassez principalmente ao nível da instalação de soluções técnicas de alto desempenho.
Para responder a este desafio, a Saint-Gobain Portugal tem investido em formação técnica para serralheiros e instaladores, em coordenação com os nossos parceiros, com enfoque em normas de qualidade, acústica, especificidades técnicas e sustentabilidade.
Por outro lado, preparamo-nos para lançar o Clube Expert Climalit® com que pretendemos promover a profissionalização do segmento da instalação de modo a acompanhar o dinamismo do setor da construção e, em particular, da construção sustentável.
Para esse efeito, um eixo fundamental da dinamização da parceria Expert Climalit® é a participação das empresas instaladoras nas atividades, encontros informativos e formativos da Academia Saint-Gobain, onde poderão manter-se a par das novidades e tendências relacionadas com o mercado, com a regulamentação ou com a gama de soluções Climalit®.
Os parceiros poderão participar e beneficiar de cursos online e/ou presenciais com conteúdo atualizado sobre o setor, aspetos técnicos e normativos relacionados com janelas ou envidraçado e encontros de profissionais, de carácter regional.
Só com profissionais bem preparados conseguimos garantir que o desempenho das soluções se traduz, na prática, em conforto, eficiência e durabilidade para o cliente final.
Com a crescente ênfase na eficiência energética e na sustentabilidade, como as empresas do sector estão a integrar tecnologias inteligentes (como sensores ou automatização) nas janelas, portas e caixilharias para atender às novas regulamentações e expectativas dos consumidores?
As soluções envidraçadas estão a tornar-se cada vez mais inteligentes. Na Saint-Gobain Glass Portugal, destacamos o SageGlass, um vidro eletrocrómico que regula automaticamente a entrada de luz e calor, em função da exposição solar e das necessidades do utilizador, sem necessidade de persianas ou estores.
Em paralelo, em projetos em parceria com fabricantes de caixilharia, temos visto uma integração crescente de sensores e sistemas automatizados para ventilação e controlo solar, alinhando o desempenho energético com o conforto e bem-estar dos ocupantes. Esta é uma tendência irreversível num setor que precisa de responder às exigências dos regulamentos, mas também às expectativas crescentes dos consumidores.
Em termos de novos produtos e soluções recentes, o que gostariam de destacar (por favor, envie imagens).
Voltamos a destacar Climalit Oraé®, o primeiro vidro no mundo com emissões de carbono mais reduzidas. Composto por 70% de vidro reciclado (casco), apresenta uma redução de aproximadamente 40% na pegada de carbono, em relação à média europeia de produção de vidro base.
E quando combinado com os vidros de capa, o Climalit Oraé® proporciona um melhor controlo solar e um melhor isolamento térmico, contribuindo efetivamente para uma poupança de energia e maior conforto no Verão e no Inverno.
Em simultâneo, o recém-lançado COOL-LITE® SKN 175 - com controlo solar altamente seletivo - vem responder à procura do setor por soluções mais sustentáveis, através da redução do consumo de energia e das emissões de CO2. A sua elevada transmissão luminosa, aliada a um baixo fator solar, respondem às regulamentações mais rigorosas de poupança energética.
Assim como os outros vidros da gama, o Climalit® COOL-LITE® SKN 175 está disponível em vidro base ORAÉ® e dispõe de Declaração Ambiental de Produto (DAP), um contributo significativo para a avaliação positiva dos sistemas de certificação ambiental dos edifícios, entre os quais os sistemas BREEAM e LEED.
Rui Oliveira, Diretor-Gerente da Saint-Gobain Glass Portugal in Jornal Construir.