Digitalização

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Com o desenvolvimento da robótica e da inteligência artificial, há competências técnicas e domínio de ferramentas que precisam de ser revistas regularmente e algumas podem mesmo tornar-se desnecessárias. Estamos a assistir a uma obsolescência acelerada. Nos anos 70, a OCDE estimou que uma competência técnica tinha uma vida útil de cerca de 20 anos. Hoje em dia, uma competência técnica tem uma duração máxima de 5 anos. 

De acordo com estudos da consultora McKinsey, nos próximos 10 a 15 anos, a adoção de tecnologias de automação e inteligência artificial transformará o local de trabalho, à medida que as pessoas interagem cada vez mais com máquinas cada vez mais inteligentes. Estas tecnologias, e esta interação homem-máquina, trarão muitos benefícios, mas também mudarão as competências exigidas aos colaboradores humanos. 

Por outro lado e em busca de equilíbrio, competências como a criatividade, liderança e pensamento crítico podem tornar-se mais importantes do que nunca. As empresas devem ajudar os seus colaboradores a criar um conjunto de ferramentas úteis para o seu desempenho, independentemente da evolução do seu cargo específico. Isto incluiria em particular "capacidade de adaptação e resiliência", que se tornaram fundamentais num contexto global abalado pela crise sanitária, que modificou e acelerou o campo das competências técnicas necessárias (trabalho à distância, digitalização de tarefas, mudança de papéis, etc.). 

TECNOLOGIA AO SERVIÇO DAS PESSOAS

Inteligente, comunicativa e conectada, a Fábrica 4.0 anuncia novos métodos de produção, cada vez mais específicos e personalizados. O advento da "Internet das Coisas" (IoT) e da inteligência artificial está também a transformar as profissões e exige novas competências.  

Com o advento da tecnologia digital nos processos de fabrico, tais como sensores de comunicação, internet industrial das coisas, dados inteligentes, etc., a indústria está a tornar-se mais ágil e inteligente. As máquinas estão agora ligadas umas às outras e estão continuamente a comunicar e a trocar informações em tempo real. Este "diálogo inteligente" tem como objetivo alcançar novos benefícios em termos de desempenho e competitividade. As aplicações resultantes são numerosas: monitorização em tempo real da produção, sistemas de alerta automático, manutenção preditiva ou mesmo otimização de "receitas" de fabrico, etc. 

Um exemplo entre outros é a Adfors, uma filial do Grupo Saint-Gobain especializada em soluções de reforço à base de fibra de vidro: para otimizar o funcionamento dos seus fornos, a empresa utiliza software baseado em inteligência artificial com o objetivo de reduzir a quantidade de recursos utilizados e os custos, e melhorar a qualidade do produto. Graças aos dados, os fabricantes podem agora concentrar-se nas expectativas dos seus clientes e adaptar-se à sua procura em tempo real.  

Para encontrar uma boa ilustração desta parceria entre humanos e máquinas, devemos colocar o foco nos "cobots" (robôs colaborativos). Desta forma, a criatividade humana pode ser combinada com a precisão e rapidez de execução dos robôs, permitindo aos operadores delegar certas tarefas repetitivas às máquinas para que se possam concentrar em missões de maior valor acrescentado.  

O grande desafio para os próximos anos será, portanto, formar uma mão-de-obra mais qualificada e apoiar o desenvolvimento das competências dos trabalhadores, particularmente na utilização de novas tecnologias. Numa fábrica alemã Sekurit, uma academia digital formou 80% do pessoal, especialmente em programas da Indústria 4.0. 

Os seres humanos continuam e continuarão a ser o principal pilar da indústria do futuro, onde as máquinas só serão utilizadas para otimizar o desempenho. Reinventar as profissões de amanhã significa permitir que todos possam adquirir novas competências para poderem interagir com sistemas de informação e utilizar dados.  

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A CONSTRUÇÃO TORNA-SE DIGITAL

A digitalização da sociedade está a mudar permanentemente o comportamento dos consumidores, mas também os processos de fabrico. O sector da construção não é exceção. O modelo digital, ou BIM, está a ganhar terreno e torna possível construir melhor, mas também de forma mais sustentável e responsável. 

A nova Torre Saint-Gobain é uma autêntica catedral de vidro, localizada no coração do bairro comercial de La Defense, perto de Paris. Com o apoio da Generali, da Vinci Construction e do gabinete de arquitetura Valode & Pistre, este projeto titânico é uma das primeiras torres em França a integrar o BIM. Esta sigla anglo-saxónica engloba três significados: Gestão de Informação de Edifícios, que corresponde a uma organização; Modelação de informação de construção, que se refere a um processo; Building Information Model, que é um modelo de dados do projeto. 

Amplamente utilizada nos Estados Unidos, obrigatória na Noruega, Dinamarca e Grã-Bretanha, a dinâmica BIM está gradualmente a ganhar terreno em outras partes da Europa. 

Este método de trabalho inovador baseia-se na mobilização de todos os intervenientes na construção em torno de um modelo digital 3D, que reproduz virtualmente toda a estrutura. Com o BIM, é possível acompanhar com precisão cada fase do ciclo de vida de um projeto, desde a sua conceção até ao fim da sua vida. Com o BIM, o arquiteto, o atelier de design ou a empresa só têm de desenhar para escolher os seus materiais e projetar o seu trabalho. Melhor ainda, o software de modelação (como os oferecidos pela Isover e Placo®) pode ser integrado no modelo digital. Estes configuradores têm em conta a geometria do sítio e garantem uma disposição fiel (é um plano detalhado que reproduz virtualmente a montagem de diferentes elementos). No final de contas, isto implica menos margem para erros, orçamentos mais baixos e tempos de construção mais curtos. 

Embora os principais atores do sector tenham incorporado esta inovação nas suas práticas, as PMEs são lentas a chegar até ela. A sensibilização e formação BIM tornaram-se objetivos prioritários para a Saint-Gobain, desenvolvendo ferramentas que permitem às PMEs formar e facilitar a sua integração no processo BIM.